Entrevista exclusiva com Paulão do VELHAS VIRGENS!

VELHAS VIRGENS EM FORTALEZA

A maior banda independente do país

Ae, galera,

em clima de contagem regressiva pra o grande show do VELHAS VIRGENS, pela primeira vez em fortaleza, nós do PANELA DISCOS,  pela pessoa de Oscar Vareda, fizemos uma entrevista ducaralho com o cara! Ele fala sobre o passado, presente, futuro do velhas, assim como ansiedade de DESVIRGINAR Fortaleza no sábado, dia 23, no oasis!

Por: Oscar Vareda (varedaneto@ig.com.br)

A maior banda independente do país, fundada em meados dos anos 80 (86), sobrevive a mais de duas décadas fazendo rock´n´roll etílico (e sexista) no Brasil. Fato digno de respeito e orgulho. Pela primeira vez em Fortaleza, a banda chega com muitas novidades: disco, figurino e show novos. Tentaremos saber mais sobre isso e assuntos relacionados à música independente.

1)      Olhando para trás, lembrando do árduo caminho de rock e álcool até hoje, passando pelas dificuldades de gravação, distribuição, profissionalização etc., o que foi mais difícil? Continuar com a banda ou manter o fígado inteiro?

Eh,eh,eh…Manter a alma pura, diria o poeta. (Ou a pinga pura, como diria o bebum!) Mas ninguém aqui é poeta (bebum sim).Tamos mais para tarados. Confesso que continuo bebendo bem, mas no passado bebia mais e demorava mais pra chapar. Ok.  A gente vive como dá.

Montar uma banda é coisa fácil em SP. Difícil é manter. Quando uma banda faz muito sucesso, a grana segura as pessoas. Quando não faz nenhum, ou ela acaba ou vira hobby. Estivemos sempre no meio termo e acho que estamos sempre buscando novos desafios, novos palcos. Fortaleza é um sonho antigo. São sonhos realizáveis como este que fazem a gente seguir bebendo. Digo, tocando!

Namoradas, família e trabalho são inimigos número “uns” das bandas de rock. Mas precisamos (e amamos) destas coisas como qualquer um. Lemmy disse: se quiser montar uma boa banda de rock, não chame gente casada. O que mantém a banda viva é tesão pelo palco e pela estrada e uma boa dose de amizade e diversão. Sem gelo, claro! Montamos as VV com o mesmo singelo objetivo de qualquer pessoa: beber de graça e comer a mulherada. Fizemos disso nosso tema principal e a honestidade aliada á simplicidade que só o rock’n’roll permite fez nossa “fama” entre os bebuns do mundo, no underground, notadamente pros que entendem português. Uma vez alguém me relatou uma entrevista dos Ramones onde eles, lendários como são, ainda conversavam sobre quando iriam estourar. Guardadas as proporções e com toda a humildade possível, nos sentimos assim. Para muita gente somos uma lenda, mas certamente ainda não chegamos onde queremos. Por isso a gente segue. Marcelo Nova escreveu que somos os Ramones da Putaria. Comparação pra lá de envaidecedora, especialmente vinda de um ídolo.

2)      Nos dias de hoje a internet tem facilitado para as bandas independentes e parece ser o instrumento mais forte de divulgação de todo tipo de música. Como as Velhas Virgens lidam com isso?

Começamos com isso bem antes de todo mundo, em 98. Cavalo disse que ia abrir o nosso selo, que ia abrir um tal de “site” e que isso seria o futuro. Achei que ele tava demente, mas o cara é meu amigo há 24 anos, então dei crédito. Ele previu tudo isso que ta aí. A Internet ta tirando o poder das grandes redes de comunicação e das gravadoras. Vc monta uma banda hoje de manhã e de noite ela ta á disposição pro mundo todo ver e ouvir. Claro que isso ás vezes apressa as coisas e coloca pro público algo que ainda não ta maduro. Tem muita merda na Internet tb. Mas é uma coisa democrática e livre. E isso é maravilhoso. A gente fala com nossos fãs diariamente pelo site, pelo Twitter, orkut, pelo Myspace, pelo MSN, pelo Facebook. Assim tamos sempre conectados. Mas fazer os shows e entrar em contato direto com a galera é importante tb. Uma banda pode ser muito malandra na Internet, mas é no palco que a gente mostra nossas maiores virtudes. Marcelo Nova (ele novamente) me disse uma vez: quer tocar rock, vá comer poeira na estrada. Poeira nada tem a ver com Internet. É preciso aliar tecnologia e suor.

3)      As V.V. são umas das bandas mais bem sucedidas no Brasil em termos de utilização do espaço independente. Além da internet, que outros instrumentos facilitadores vocês se utilizam?

Falei à pouco. Todas as ferramentas da Internet. Disponibilizamos nossos sons para a galera baixar, assim como letras de música e todo o repertório pra galera ouvir. Toda vez que a gente toca, fazemos questão de descer do palco e bater papo com o povo, trocar idéias, aproximar a coisa fria da Internet. Nossa lojinha virtual vende muito mais que CDS e DVDs. Os fãs adoram presentes variados, então tem calcinha, caneca, abridor, camiseta e futuramente nossa cerveja. Já lançamos cds encartados em revista em quadrinhos nas bancas. Agora lançamos uma espécie de ópera rock com um libreto que é baixado gratuitamente no site. A gente sempre procura integrar as mídias e criar novas formas de chegar aos caras que curtem nosso som. Fanzines e grandes jornais têm a mesma chance de nos entrevistas. A gente fala com todo mundo. Isso toma tempo. Mas vale á pena

4)      Além de música, alguns de vocês escrevem em blogs, já publicaram livros, revista em quadrinhos etc. Você próprio, Paulão, tem um livro a ser publicado. Já conseguiu publicar? Como estão esses projetos pararelos?

Lançamos uma Revista em quadrinhos em 2009 e temos um livro que conta algumas das nossas peripécias nestes 24 anos. Este ano deve sair um livro do Cavalo e outro meu (Na terra das mulheres sem bunda). Tamos acertando as coisas com um editor amigo e a idéia é lançar até o meio do ano, sempre lembrando que mercado editorial é mais enrolado que o musical. Ainda este ano quero fazer um segundo disco da minha banda paralela, O Cuelho de Alice. E seguir fazendo alguns shows com uma outra banda, esta de covers, “O Clube dos Cornos”, onde canto de Reginaldo Rossi e Lindomar Castilho a Sam Cooke e Manhatans. A gente se vira mais que charuto na boca de bêbado. Meu blog era um diário do lançamento do ultimo cd e, com o lançamento, entrou em férias. As pessoas me pedem para voltar a escrever o blog, mas não ta dando tempo.

5)      Em 2008, com o lançamento do CD e DVD “Nós Somos as Velhas Virgens! 21 anos” o trabalho de vocês obteve maior reconhecimento e ganhou mais amplitude pelo país, atingindo regiões mais distantes. Isso, fatalmente, provocou uma renovação no público da banda. Como é isso? Como é ver pessoas no público que não tinham nem nascido quando vocês já ralavam fazendo rock e bebendo pelo underground de São Paulo?

É isso mesmo. Tem uma puta molecada nos shows, chacoalhando a cabeça. Essa energia nos renova tb. Esse lance de falar de sexo, boemia, mulherada, é como fazer desenhos do Walt Disney: a cada cinco anos troca a geração e tem uma leva nova querendo se divertir. Por isso nunca sai de moda. E Deus me livre de viver num mundo onde putaria saiu de moda. E olha que os radicais religiosos de várias facções vivem trabalhando nesta direção. Nossa sorte é que Jesus Cristo era cabeludo, amigo das putas e bebia vinho!

6)      E em 2009 veio o disco novo “Ninguém Beija Como as Lésbicas”. Como foi o processo de composição, produção etc?

A gente sempre chega pra pré-produção com muita coisa. Trago mais de 20, 25 sugestões de letras e canções. Cavalo traz mais algumas 8, 10. Desta vez Roy propôs duas ou três e até a Juju sugeriu coisas. Então, tínhamos coisa pra caralho. Fomos selecionando pela qualidade e quando vimos estava em 16. A da Ju acabou saindo, mas era bem legal (Cu de bêbado não tem dono). Uma do Roy ficou e virou um dueto com a JU. Cavalo musicou uma pá de letras minhas que eu nem lembrava de ter escrito. (Cavalo é meu cofre: mando tudo que escrevo pra ele, pra não perder. Acho que ele tem mais letras minhas que eu mesmo). E o resto eram canções minhas mesmo. Cavalo ainda com pôs meio de ultima hora “Cafajeste”, a solo da Ju, que é demais. Aí peguei tudo, criei um enredo e construi a história do Genelvis, o Gênio da Garrafa, que vive num mundo mágico de bebuns onde sua ex-mulher está prestes a acabar com sua reputação através de um filme. O resto tem que ver o show e ouvir o cd com o Libreto ao lado. Todo este processo levou uns dois meses, que eu e Cavalo contamos com detalhes em nossos blogs. Brigas, discussões, pedradas, foices, tiros, saiu de tudo, mas o trampo ta aí, alinhavado pela produção do Mago Paulo Anhaia. É um puta disco, tenho orgulho de dizer!

7)      E como tem sido a repercussão? Muitas viagens pelo Brasil? Como o público tem recebido as músicas novas? Alguma novidade para o publico cearense?

Curiosamente, as pessoas tem cantado tanto as músicas novas como os “clássicos”. Fizemos muitos shows depois do lançamento em outubro de 2009. Precisa ver no site, mas foi coisa de 12 a 15 shows cada mês. Rodamos muito pelo sul, notadamente Santa Catarina. Passamos tanto tempo lá que quase viramos Catarinenses. A novidade pra galera de Fortaleza é que vamos trazer não um show caça níqueis de grandes sucessos (até porque isso é coisa pro Roupa Nova, que realmente tem grandes sucessos populares), mas o show mais renovado que já produzimos, o mesmo que temos feito pelo sul do país. Sem esquecer as músicas mais conhecidas, claro. È uma média de 9 canções novas para outras 9, 10 dos cds antigos. Como estamos prestes a entrar no carnaval, podemos dar uma palhinha de algumas marchinhas, quem sabe.

8)      Quais os projetos das Velhas para 2010?

Andar o máximo possível com este show. Produzir a apresentação operística do “Ninguém beija como as Lésbicas”, cantando e contando a história com começo, meio e fim. Preparar a festa de 25 anos em 2011. Lançar meu livro e do Cavalo.. Até o fim do ano lançar o segundo cd de marchinhas, Carnavelhas II, dedicado a nossa cidade, SP. Pode até sair um DVD deste show. Cavalo quer transformar o “Ninguém beija…” num curta/média de animação. E a nossa cerveja, sempre em pauta. Idéias temos muitas. Falta grana.

9)       Para finalizar… Vocês já tocaram pelo Nordeste, já têm alguma idéia do público nordestino, mas será a primeira vez em Fortaleza. Qual a expectativa para desvirginar os cearenses?

Pela Internet temos tido uma idéia da movimentação da galera de Fortaleza e arredores. Estamos mesmo impressionados, nos sentindo como se fossemos o Metallica (ah,ah,ah, brincadeira). Fortaleza é um mistério instigante, como uma mulher gostosa que vc xaveca muito tempo e de repente acha que vai comer. Não tem a menor chance de broxar. As pessoas esperam um show inesquecível e terão. Vamos virar cearenses e voltar todo ano.



8 respostas para “Entrevista exclusiva com Paulão do VELHAS VIRGENS!”

  1. Lívio disse:

    É isso aí, Paulão vagabundo!

  2. Jeff Felipe disse:

    Muito do Karalho!

  3. Italo disse:

    “Vamos virar cearenses e voltar todo ano.”

    E eu digo amém.

  4. Brehmer disse:

    RECIPROCIDADE o show da V.V tb é um mistério instigante, como uma mulher gostosa que vc xaveca muito tempo e de repente acha que vai comer
    hauhuahuahau

  5. Antonio Hugo Serra Lira disse:

    karalhoooooooo….tenho ki i rpra esseshow..pqp…

    paulão e foda….tomara mermo ki todo ano tenha V.V. aki em fortaleza…todo ano eu vo…

  6. Amigo a maior banda de rock independente do Brasil e A Vitória!

  7. Georgiano de Castro disse:

    uma aula de bom senso e r&r

  8. rafael disse:

    porra isso é do caralho mesmo puro rock de conforça fock you porra

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