Quem se fudeu ontem?
Por Leonardo Telles, banda ATOMIC BOMB WATCHER.
Fortaleza, Dragão do Mar, 19:30hs. Não foi manchete nos jornais, mesmo nos apelativos com sangue e corpo borrado no chão. Alguém se fuderia esta noite, na Fortaleza Bela, e permaneceria no anonimato do povão.
O furgão parou em frente ao mocó estúdio e de lá sairam alguns seres mau encarados, com cara de poucos amigos. Começam a desembarcar uma carga do veículo e sorrateiramente instala-la no mocó estudio, diante do olhar apreensivo do dono. O meu celular toca: “E ai, voce vem ou não vem?” Eu vou. Chego la as pressas e acabo fazendo parte do esquema.
Quando entro me deparo com a situação. Com o olhar fixo na parede, estão Talles e Edmundo, aonde o desenho de um mocó magricela resta encostado numa caixa amplificada enorme. É quando tomo conhecimento que aquela imagem é pura arte. A caixa amplificada do mocó é pequena, e deverá ser utilizada como caixa principal de vocal. Engulo em seco o receio e lá vamos nós preparar o equipamento. Quem se fuderá essa noite?
Diante de todos esses anos, nunca convivi bastante com músicos que não tocassem comigo, aqui estou eu num grupo de amigos já formado, entrosado, para fazer valer um argumento. Afinal de contas porque uma pessoa sai do conforto de sua casa, sai da comodidade da internet, sai do bar perto de casa ou em que os amigos sempre se reunem, e vai para um lugar escutar bandas tocando ao vivo, musica autoral ainda por cima? Não me resta duvida, sem muito alarde, alguem se foderá essa noite.
Coloco pra tocar um cd que passei a semana montando, com bandas cearenses, muitas já acabaram, mas ali, quando as coloco pra tocar, não deixo de me sentir triste por ver como elas foram cheias de vida e idéias. Sonhos. Essa noite é de uma responsabilidade imensa, os músicos que tocarão nesse evento tem todo um passado para confrontar, um desafio para com aquele cd que eu trouxe, de mostrar a quem desistiu de ser músico em Fortaleza, que o esforço, a dedicação rendem frutos no seu trabalho e que desistir não é uma opção. Ainda.
A noite começa com a banda Inflame, excelente performance. Curti os solos de guitarra, excelentes melodias pesadas e muita animação no palco. Pequeno intervalo e sobe a Joseph K. Talles e companhia se mostram uma banda nervosa e entrosada, stone rock de alto nível. Dentro de um repertório com hits que os lançaram fora do país, quem assistiu, aprovou. Já ia esquecendo, eles tocam duas músicas covers.
O evento dessa noite foi divulgado como “Fuck Off Cover (Foda-se o cover)”, o que não ficou claro naquele momento é porque mandar uma banda cover se fuder e tocar um cover. Dentro de uma breve explicacação que o Talles tinha me dado anteriormente, uma coisa é uma banda com intuito único de tocar musica dos outros, sem interesse em criar nada próprio, outra é tocar um cover dentro de um repertório com várias músicas próprias. Então tá. Registre-se. Nessa noite o cover não se fudeu. Mas calma, o suspense continua, alguém se foderá está noite.
Outro intervalo e sobe ao palco a banda Donzela. Metaleiro que se preze não erra nota nem entra fora do tempo. A banda já pode é ensinar como é que se faz pra cumprir a regra. Show a parte do vocalista com grande timbre e técnica. Esqueci de mencionar, dentro do repertório eles tocam uma música cover.
A noite se encerra com a minha já velha conhecida Plastique Noir. Embalados pela indicação para o Abril Pro Rock deste ano, os mestres Airton, Mazela e Daniel se mostram bem humorados mesmo apesar dos problemas técnicos do som. Menção honrosa ao Mazela tomando o microfone e mandando o cover se fuder, não nego minha satisfação com tal discurso, ali me deparo com uma banda que tem feito por merecer o destaque nacional que vem tendo. É impossível não aceitar o apelo pop das músicas com melodias grudentas e ritmo dançante.
A noite chega ao fim, todos cumpriram bem o seu papel, inclusive o público que foi em bom número, ainda que não o ideal para o tamanho das bandas. Chegou a hora do mote, sabe quem se fudeu nessa noite? QUEM NÃO FOI! Pois perdeu grandes apresentações, e mais, perdeu também um momento crucial da história do rock cearense, que com sua cena praticamente moribunda, no momento do “Vai ou Racha” , vem se reerguendo neste ano, prometendo revolucionar esta cidade.
O pessoal do MIRC tambem escreveu sobre o show, confiram ae:
http://www.projetomirc.com.br/news_1735_Festival-Fuck-off-cover-.html
abraço a todos!
Toma no cu cover fila da puta!!!
Valeu, galera, foi do caralho e que role em breve a parte II, a missão! E, novamente, pau no cu de quem tem medo de dar a cara à tapa! Peia!
Vlw Leonardo Telles… com certeza foi uma noite de muita curtição e rock n roll!!!! E que venha a segunda edição do Fuck Off Cover!!!!
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Ontem foi a primeira vez em minha vida que toquei em um evento. Gostei muito da resposta do público. Galera muito rock. Quem não foi perdeu!!!
Quem não foi perdeu mesmo e não sabe o que perdeu , eu sai todo quebrado de casa , mas mesmo assim fui, passei o dia todo trabalhando, mas perder o primeiro festival de nivel autoral em Fortaleza, eu não me perdoaria e quem se fudeu? a resposta é simples! ‘QUEM PERDEU A NOITE DE RESSUREIÇÃO DA CENA AUTORAL DE FORTALEZA”, e eu sei que isso vai entrar de cara no calendário anual, mensal , semanal sei lá , mas isso não pode parar.
É, foi muito bom mesmo!
Vamo que vamo nas parceirias, conte conosco.
Tatuaria INK!
valeu DEMAIS ao pessoal da TATUARIA INK, nosso novo parceiro!
abraço
Acho que podem haver várias justificativas para ainda existir o couver(1ª -banda couver um dia será autoral, 2ª – os caras são muito fans, 3ª – eu queru comer meninas, ….), mas não me convence não, bem, aliás ainda existem até locais que essa prática ainda é aceitavel como por exemplo nos bares, restaurantes, festas particulares. Porém eu discuto o couver nos espaços Underground’s que se originaram como espaços alternativos aos artistas que não compunham os grandes elencos e top’s da hoje falida industria fonografica que patrocinava (jaba) na marra a colocação das músicas nas rádios de grande circulação. Guardadas as devidas proporções é como se você colocasse no ar uma rádio pirata para tocar o que já tocou ou o que já está tocando, isso é que eu questiono, porém acho que ainda vamos evoluir como outras cidades do Brasil já evoluiram, onde em espaços undergrounds tocam bandas UNDERGROUND’S E NÃO CÓPIAS DO QUE JÁ TOCOU E DO QUE TOCA, AI NÃO TEM SENTIDO……
Agora falando da noite: Bem quando entrei a Inflame já estava na primeira música, abriu e se garantiu é só que tenho pra falar, mesmo sem a baixista foi do karalho o substituto (se era) butou pra phoder mesmo, dicumforça, jogou responsabilidade pra Joseph, mas isso eles já são acostumados, calourada e cerveja na galera (tú molhou meu fundo de garrafa filho da puta hahahah valeu a pena) e 2 couver só pra encher o saco e lembrar da polêmica(foi massa, não era a inflame mais soube jogar GASOLINA), Agora Donzela mesmo sem o Ivo (grande sujeito), foi massa os caras estavam afinados e a galera pedia SELVA DE PEDRA desde o início eles souberam manter o suspense e tocaram no final. O que falar de Plastique Noir hoje uma das bandas mais centradas e arrepilantes do Brasil. BEM EU NÃO ME PHODE, POIS JÁ NASCE PHODIDO, EU PHODE GENTE NAQUELA NOITE MAIS ISSO É UMA OUTRA HISTÓRIA HAHAHAHAHA……………………….
E isso ae moçada continuem dando força pra galera q compoe mete as caras pra fazer músicas!