Sabemos da importância da criação do programa BNB do Rock-Cordel para as cenas do Ceará e da Paraíba. Trata-se de uma das mais acertadas políticas públicas no âmbito da cultura voltada para um segmento considerável da juventude de Fortaleza e região metropolitana, bem como de Juazeiro do Norte e regiões circunvizinhas, sem falarmos da cidade de Souza, em pleno Sertão da Paraíba, que tiveram um impacto significativo em seus campos musicais e localidades. A abertura dos Centros Culturais do Banco do Nordeste para os grupos de diversos matizes e estilos foi algo bastante relevante, demonstrando disposição de diálogo, sensibilidade política e social dos gestores dos referidos espaços culturais para com um segmento até então considerado marginal e estigmatizado. Além disso, o programa promove a inclusão social e cultural de centenas de gru pos novatos e veteranos das cenas cearense e paraibana.
O programa é um sucesso de público, de crítica, de mobilização da juventude. Entretanto, possui deficiências e distorções que precisam ser corrigidas sob pena de ter sua continuidade comprometida. A defasagem dos cachês praticados pelo CCBNB, se é que podemos chamar assim, é um exemplo. Do ponto de vista simbólico, a inclusão do estilo musical “Rock” dentro da grade da programação musical foi de grande valia, posto que, foi inserido em sua programação um segmento numeroso e diversificado no programa BNB do Rock-Cordel. Mas para um programa musical considerado, inclusive pela Direção do BNB, como um dos mais bem avaliados em termos de público, mídia, inclusão social e cultural, precisa pelo menos equiparar-se em termos de valores aos já existentes como “Cultura Musical”, “Mostra da Canção Independente”, “BNB Instrument al” entre outros.
Só para termos uma idéia, os grupos de outras regiões do país selecionados para o programa BNB do Rock-Cordel – 2010, não recebem ajuda de custo, diferente dos músicos selecionados para os outros programas musicais que recebem cachês e 50% do valor em ajuda de custo girando em torno de R$ 500 a R$ 1.000,00. Outra distorção diz respeito a classificação do que são atrações “Regionais” e “Nacionais”. Que parâmetros são utilizados nessa qualificação? Será que um grupo classificado como “Rock” oriundo de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e/ou Natal, por exemplo, não pode ser enquadrado dentro desses parâmetros? Sobretudo porque as bandas de “rock” são conhecidas nacional e internacionalmente entre o público desse estilo musical, independente de tocar em rádio ou programas de TV. Trata-se de um critério dúbio, injusto e contraditório, precisando ser corrigido para as próximas edições do edital de programação. Alguns grupos selecionados para o IV Festival BNB do Rock-Cordel, por exemplo, desistiram de participar da edição de 2010, por conta do valor irrisório de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) “limpo e seco” e sem direito a ajuda de custo. É importante valorizar os grupos locais, mas a cena precisa ser “oxigenada” através de intercâmbios com bandas e artistas de outras localidades do país, é importante que o programa e as ações do BNB tenham visibilidade fora de sua sede e área de atuação.
Senão vejamos: dos R$ 250,00 recebidos por cada grupo, 16% vão ser descontados na fonte, referentes ao INSS e ISS, 11% e 5% respectivamente, restando R$ 210,00. Para uma banda que ensaia uma vez por semana durante duas horas em estúdio apropriado, terão que desembolsar ao final de um mês R$ 80,00. Isso ao custo de R$ 10,00 (a hora). Sem falarmos que o grupo vai ter que pesquisar bastante para encontrar uma sala de ensaio com esse preço. Assim, dos R$ 250,00 iniciais, ainda restam R$ 130,00. O deslocamento para o estúdio não foi contabilizado.
Para uma apresentação em Fortaleza, por exemplo, terão que se deslocar de suas residências ao centro cultural. Se forem em um automóvel vão desembolsar pelo menos uns R$ 15,00 de combustível, e mais R$ 6,00 de estacionamento. Agora restam R$ 109,00.
Sendo uma banda de quatro integrantes, indo e voltando de ônibus o custo vai girar em torno de R$ 14,40. Isto se o grupo tiver de pegar apenas uma condução. Assim, restam R$ 115,6.
Geralmente, uma banda de rock do tipo clássico possui quatro integrantes: uma guitarra, um baixo, uma bateria e um vocal. É o básico. Se o guitarrista trocar o encordoamento da guitarra (nacionais) (a cada seis meses), que custa em torno de R$ 15,00, o baterista adquirir um par de banquetas (o mais acessível) também por R$ 15,00 em média e o baixista for trocar o encordoamento do baixo (nacional), vai desembolsar R$ 60,00. Ao final vão investir R$ 90,00. Assim, do cachê inicial vai sobrar R$ 19,00 para o grupo que for em (01) um automóvel, e R$ 25,00 daqueles que tomarem uma condução pública.
E se após o show os músicos sentirem fome e quiserem merendar no Centro da cidade? Quem foi de ônibus vai ter a sua disposição R$ 6,40 para cada integrante e os que forem de automóvel vai ter R$ 4,75 cada. Dá para comer um pastel com caldo de cana, ou um misto quente e um refrigerante, ou comer prato em um self-service sem peso.
Por outro lado, sabemos que existem critérios objetivos que dizem respeito ao público que freqüenta os centros culturais onde são contabilizados os ingressos distribuídos, o público circulante durante os eventos, a quantidade de músicos e grupos incluídos pelo programa, onde o programa BNB do Rock-Cordel supera todos os outros e que não vem sendo levados em consideração no momento de definir o planejamento orçamentário e a “divisão do bolo”. Não adianta apenas crescer o numero de bandas para justificar que mais grupos foram incluídos a cada ano. Do ponto vista quantitativo funciona muito bem, mas por outro lado, continuaremos inferiorizados e precarizados em relação aos músicos dos outros programas musicais. O processo deve ser uma via de mão dupla.
Do ponto de vista político, deve-se ser levado em conta que uma parcela considerável da juventude – antes excluída das políticas de cultura do Governo Federal, passou a freqüentar, ganhar dinheiro com a sua arte através dos centros culturais do BNB, sendo potenciais formadores de opinião e eleitores nas próximas eleições.
São simples observações que muitas vezes passam despercebidas perante os gestores como também da parte de quem define as políticas para os inúmeros programas dos Centros Culturais do BNB. É sabido, que em quatro edições o aumento dos cachês foi mínimo passando de duzentos reais para os atuais R$ 250,00, estando há dois anos congelado. Não seria o momento de repensar e atualizar esses valores, aproximando dos outros programas musicais existentes? O cachê mais razoável e justo seria de R$ 500,00 para o próximo ano.
Atenciosamente
Associação Cultural Cearense do Rock
Rede Ceará de Música (REDECEM)
Panela Discos
FORTALEZA
CE
2010
Esqueçeram de citar a retirada das bandas covers já que estas que no meu modo de ver estas não fazem parte da concepcao inicial do projeto. Este ano tem banda cover tocando duas vezes mudando apenas um ou outro membro.
Concordo com a mostra de bandas cover, mas não com a condição acima descrita, de praticamente a mesma banda tocar duas vezes mudando apenas um ou dois musicos… assim fica dificil …
Galera, segue abaixo um breve resumo do que rolou na reunião dos representantes da carta revindicadora de mudanças e cúpula do BNB:
Caros amigos e grupos participantes do Programa BNB do Rock-Cordel,
No último dia 23 de dezembro, estivemos reunidos (Amaudson Ximenes, Lucas Gurgel e Ivan Ferraro representando a Associação Cultural Cearense do Rock (ACR) e Rede Ceará de Música – Redecem) com a Direção do Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza (Henilton Menezes, Tibico Brasil e André Marinho). A temática da reunião girou em torno da carta distribuida por nós a Presidencia do Banco do Nordeste do Brasil que tratava do baixo valor do cachê praticado pelo programa BNB do Rock Cordel que todos sabem é de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais). Além do valor do cache, questionou-se também criterios que diferenciavam os músicos do BNB do Rock-Cordel dos músicos dos outros programas (LER a Carta para entender melhor).
Foi questinado por parte da Direção do Centro o porquê de enviar a Carta diretamente ao Presidente do BNB e esta não ter passado pela Gerência, a nossa resposta foi a de que o assunto já vinha sendo tratado e reclamado a Coordenação de música do CCBNB, e esta por sua vez nos dizia que a questão era de ordem politica e que só a presidência poderia fazê-lo. A Gerência também expôs que para o ano de 2010 não seria possivel qualquer aumento dos cachês por conta do orçamento já ter sido formatado, mesmo admitindo ser baixo o valor do cachê praticado pelo Programa BNB do Rock-Cordel.
Ao final prometeram analisar o pedido junto com outros gestores e a propria presidência do BNB mesmo com tudo já fechado para 2010. Da nossa parte o recado foi dado, posto que não é justo um dos programa melhores avaliados em termos de publico, de visibilidade encontrar-se há dois anos sem reajuste algum e ser sempre discriminado em relação aos outros existentes.
Atenciosamente
Associação Cultural Cearense do Rock
Rede Ceará de Musica
Panela Discos
Concordo plenamente que o aumento do cachê, mas também a retirada das bandas covers da mostra, visto que as bandas covers já tem espaço garantido na noite de Fortaleza, enquanto as autorais…, esse lance de varias bandas covers tocar reversando so os músicos mostra uma distorção na seleção dessas bandas.
Faço das palavras do Gandhi as minhas , poxa uma banda cover tocando ja tira o espaço de uma banda autoral; acho que a cada ano que se passa perde aquela ”magia” que se tinha logo no primeiro ano do festival .
Gostaria de saber como é feita a seleção? Quem faz a divulgação e como é possível a inscrição de novas bandas que fazem um ótimo trabalho, mas não tem oportunidades…
Acho que o valor é mesmo baixo, mas que a argumentação da carta está completamente equivocada. De que vale reclamar do cachê e não contextualizar o festival no ambiente cultural da cidade? O BNB realiza um festival ótimo com estrutura ótima. Tem gente que só tem a oportunidade de tocar com dignidade no Rock-Cordel. E todo mundo toca (o que é importante de dizer).
Enquanto isso todos (público, produtores e bandas), fecham os olhos pra ausência total de políticas públicas na cidade. OS verdadeiros responsáveis pelo fazer público da cidade( A prefeitura e o Estado ) tem feito o q pelo rock cearense? FOrtaleza é uma cidade de cultura eminentemente urbana. E onde estão os investimentos para dar vazão à produção Urbana da cidade? A discussão está completamente despolitizada. Estamos mais uma vez com o pires na mão mendigando um aumento de cachê pro BNB, como se isso fosse a salvação da lavoura.
Onde está a participação do Dragão do Mar (governo do Estado) no Rock cearense? Será que não somos dignos de ter um amplo festival lá? E os cachês pagos para os artistas de fora, alguém reclama? E o festival Petrúcio Maia(governo Municipal) onde está? E o cachê gasto no reveillon de Fortaleza? Alguém reclamou?
Ao focalizarmos nossas energias no cachê do Rock-Cordel e esquecemos todo o mundo nos envolve, atuamos como se o BNB fosse o principal responsável pela bandeira do Rock e da cultura urbana no Estado. Devemos exigir sim a realização de festivais abrangentes (sem cartas marcadas) para os verdadeiros responsáveis por isso.
Bem, por enquanto é só.